Uso de Cannabis pelos pais associado a maior risco de psicose na criança

Uso de Cannabis pelos pais associado a maior risco de psicose na criança

Para a medicina é muito importante estar familiarizada com questões e hábitos que cercam o mundo contemporâneo, para assim orientar seus pacientes a respeito dos riscos relacionados.

Por esse motivo, trago hoje uma pesquisa relacionada a uma droga popularmente conhecida e muito utilizada sem o mínimo comprometimento com a saúde: a cannabis, também conhecida como maconha.

A Cannabis ainda é uma droga ilegal em nosso país e traz muitos malefícios.

Contudo, não podemos perder de vista a importância de refletirmos a respeito das drogas legalizadas que são igualmente prejudiciais e altamente difundidas em nossa sociedade, como o álcool.

A respeito dele, você pode ler mais nas matérias Álcool definitivamente é fator de risco para desenvolver câncer e Os Efeitos do Álcool no Organismo.

Mães e pais que usam Cannabis durante a gravidez têm maior probabilidade de ter filhos que apresentam sintomas psicóticos

É o que sugere uma nova pesquisa realizada pelo Departamento de Psiquiatria da Criança e do Adolescente do Erasmus Medical Center, em Rotterdam (Holanda).

Foram analisadas mais de 3.500 famílias. Posteriormente, foi observado que o uso da droga pela mãe está associado a 38% mais risco de sintomas psicóticos na criança aos 10 anos de idade.

Quando ao uso de cannabis pelo pai, o risco aumentou para 44%.

Dr. Koen Bolhuis, líder da pesquisa, afirma que a associação da cannabis com a psicose na criança também foi observada no uso dos pais após a gravidez.

A descoberta trouxe novos caminhos para o debate da associação do uso de cannabis com a psicose.

O impacto comparável do uso materno e paterno sugeriu para os pesquisadores que as causas em comum, mais do que somente mecanismos intra-uterinos, formam a base da associação entre o uso de maconha pelos pais e os sintomas psicóticos dos filhos.

Para os médicos, é importante focar em medidas preventivas que devem ser adaptadas para famílias com risco de doença mental grave.

Como foi feita a pesquisa

Para determinar se o uso de cannabis pelos pais poderia estar associado ao risco de psicose nos filhos, foi selecionada uma coorte (conjunto de pessoas que tem em comum um evento que se deu no mesmo período) de nascimento baseada na população de Rotterdam.

Na seleção de coorte foram identificados 3.692 indivíduos com dados de uso de Cannabis pela mãe durante a gestação. O uso foi apontado a partir de autorrelato e presença de metabólitos na urina.

No que diz respeito ao uso de maconha pelos pais, o uso foi constatado por relato dos mesmos ou pelo relato das mães.

No tocante das experiências psicóticas da prole, a análise se deu a partir de relatos dos próprios pais ou integrantes da família quando a criança alcançou os dez anos de idade.

Foram encontradas 183 mulheres usuárias. Dentre elas, 98 antes da gravidez e 85 durante. Importante salientas que também foram encontradas 386 mulheres que continuaram a fumar tabaco durante a gestação.

Referente aos pais, o uso de Cannabis foi relatado em 297 indivíduos.

Em análise multivariada, levando em consideração fatores de confusão sociodemográfico e psiquiátrico, o uso de Cannabis pela mãe  foi relacionado ao aumento do risco de experiências psicóticas nos filhos (odds ratio, OR= 1,38; P= 0,0031).

O uso do pai também foi significadamente associado. (OR= 1,44; P = 0,002).

Entretando, segundo o líder da pesquisa, Dr. Bolhuis afirma que é “muito difícil dizer qualquer coisa sobre causa e efeito com estes tipos de análises observacionais.”

Vulnerabilidade na família é um ponto a ser salientado

O pesquisador relatou que o achado do uso materno e paterno associados às experiências psicóticas da prole, de certa forma, descartam o efeito intrauterino do uso de Cannabis no desenvolvimento neural do feto.

Também foi salientado que pais e mães usuários de Cannabis “não formam uma parcela aleatória da população”, como bem afirmou o líder da pesquisa Dr. Bolhuis.

Essas famílias estão inseridas em realidades com maiores índices de escores de psicopatologias, além de menores níveis socioeconômicos.

Significa que essas características não devem ser deixadas de lado para a análise do estudo, visto que essas vulnerabilidades, sejam genéticas, ambientais, sociais ou econômicas, são passadas para as próximas gerações.

Sabe-se, por estudos prévios, que as experiências psicóticas são indicativos não apenas de transtorno psicótico a ser desenvolvido, mas também ideação suicida e outros transtornos como depressão, por exemplo.

Para o pesquisador, de alguma maneira o estudo reforça como fatores negativos para a saúde mental são agrupados nas famílias, podendo ser transmitidos para próximas gerações.

À vista disso, estudos futuros deverão focar nos estágios mais precoces de desenvolvimento, em oposição ao foco no adolescente ou adulto.

“Acho que devemos começar a focar nos precursores de saúde mental, nos pródromos não apenas de psicose, mas também de doenças mentais graves, tais como depressão maior ou transtorno bipolar e ideação suicida, muito mais cedo na vida, pois estes indicadores de risco podem ser vistos bastante precocemente.” (Dr. Bolhuis)

O contraponto

Para Dr. Richard Saitz, chefe e professor do Departamento de Ciências da Saúde Comunitária da Boston University School of Public Health, em Massachusetts (EUA), poucos detalhes do estudo foram fornecidos na apresentação e ele não foi completamente revisado. 

Isso significa que talvez o estudo não seja suficiente, porém abre caminhos para futuras pesquisas.

Por conseguinte, o especialista hesitaria em “tirar quaisquer conclusão imediata a respeito do estudo”.

Segundo ele, não é possível saber quantas crianças tiveram sintomas psicóticos, nem quais potenciais fatores de confusão foram ajustados.

Além disso, para Dr. Saitz, as divergências entre os modelos com e sem ajustes parecem mínimas, o que sugere que existem poucos fatores de confusão ou os fatores corretos não foram incluídos.

Ademais, o Dr. ressalta que a única associação significativa foi com a exposição à Cannabis de modo geral, não especificamente antes ou depois da gravidez.

Como afirmou, o estudo “deixa um grande caminho a ser percorrido para decifrar o timing.”

Não obstante, apesar da associação ser biologicamente plausível, para o especialista a questão é determinar se a exposição durante a gravidez é, de fato, causal.

Salientando que algumas pessoas irão concluir pelo estudo que a associação é causal, o especialista afirma:

Se não há nenhuma justificativa forte para ser exposto à maconha, o caminho mais seguro seria não fazê-lo

Todavia, para o especialista, é possível que os achados não sejam causais.

É possível que as pessoas usuárias de maconha e com filhos com sintomas psicóticos tenham maior probabilidade de se lembrar ou reportar o uso de Cannabis.

Além disso, também é possível que as crianças tenham sido expostas a outros fatores de risco para a psicose que não foram suficientemente abordados na análise.

Apesar de todas as ressalvas, para o especialista o estudo é muito importante, pois é prospectivo e parece ter sido feito com métodos bem concretos.

Esse é o melhor tipo de estudo para informar a questão, diz o médico

A medicina não irá randomizar grávidas para exposição à maconha, a não ser que ela venha a ser estudada como medicação durante a gestação.

Por esse motivo, outros estudos como esse terão que confirmar os resultados apresentados, a fim de maximizar a confiança neles.

Apesar disso, a reflexão sobre o estudo é necessária e importante para averiguarmos quais devem ser nossas prioridades enquanto pais e mães no desenvolvimento de nossos pequenos: sua saúde ou nosso prazer imediato em um hábito ruim?

Você pode encontrar a matéria completa no link a seguir: https://portugues.medscape.com/verartigo/6502277#vp_2

 

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Dr. Victor Sorrentino

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