Existe uma discussão a respeito da incapacidade de conseguir retardar metabolicamente os danos provocados pelo envelhecimento.

O cirurgião que realiza uma plástica estética consegue tratar seu paciente: remover gorduras que fornecem um formato indesejado do corpo, aumentar ou diminuir mamas, inclusive tratar imperfeições ósseas e/ou cartilaginosas, como nariz e orelha, mas não tinha possibilidade de detectar e tratar a causa básica de muitas destas “imperfeições”.

O impasse entre cirurgia estética e emagrecimento

Exemplo: Uma paciente procura o cirurgião plástico afim de se submeter a uma lipoaspiração na região do abdômen.

A indicação da lipoaspiração é analisada para a remoção da gordura localizada e não o emagrecimento efetivo, lembrando que grande parte dos desastres ocorrem neste tipo cirurgia plástica e pela má escolha da paciente e do profissional.

Bem, mas o que acontece com frequência é que existe uma grande chance desta paciente, em ser operada, melhorar seu contorno, mas continuar tendo aquela tendência a “ganhar” novamente o acúmulo da gordura.

Frente a estes casos, posso lhes dizer que era o que costumávamos fazer de rotina, o cirurgião plástico no máximo guiava a paciente para um acompanhamento nutricional ou um “check up” endocrinológico e a realização de exercícios físicos.

Entretanto, a grande decepção para 99,9% das pacientes era que raramente conseguiam otimizar seu metabolismo. Realizar dietas é extremamente difícil nos dias de hoje, com o dia a dia corrido de homens e mulheres, exercitar-se e ter que levar “marmitas”para o trabalho dão trabalho mesmo.

As dietas até funcionam, mas por um determinado período, ou seja, a pessoa deixa de comer gorduras, ou carboidratos, ou até mesmo proteínas, e emagrece.

A realidade é que ninguém vive sem um macronutriente pelo resto da vida e a tendência é voltar e engordar tudo o que tinha ou mais.

A regra é que a quase totalidade de pessoas era vista através de papéis, isto é, o que os números dos exames mostram: os níveis considerados como normais nos exames englobam 95% da população.

Infelizmente muitos médicos pecam sobre a maneira correta de avaliar os exames calculando níveis ótimos para cada elemento e cada indivíduo. Eles simplesmente vêem se está ou não dentro dos limites, e isto até quem nunca estudou medicina sabe fazer, só jogar no dr. Google e se orientar, obviamente a maioria das pessoas é sempre vista como “normal”. Mas a minha alegria é ver que este fato está mudando.

Somos treinados para tratar doença, ter um diagnóstico e dar medicações para tal. Porém, receber uma pessoa com queixas por exemplo de ganho de peso excessivo, sentindo que seu corpo está funcionando aquém do que deveria e poder fazer com que esta mesma pessoa tenha seu metabolismo otimizado, onde seus hormônios possam ajudá-la, isto não cabia a nós médicos.

Ora, então a quem cabe esta ajuda? Porque o medo da otimização hormonal usando hormônios “naturais”, sinteticamente, iguais aos do corpo humano, se até o uso das pílulas anticoncepcionais são aceitas indiscutivelmente?

 

Cirurgia Estética e Medicina Integrativa

Mostro esses exemplos pois a Cirurgia Plástica e a Medicina Integrativa têm histórias muito parecidas, pois no início das especialidades cirúrgicas, não era permitido que a medicina se prestasse a melhorar a aparência das pessoas. A Cirurgia Plástica era apenas para tratar deformidades congênitas, tratar queimados, reconstruir regiões corporais traumatizadas por acidentes e etc.

Com o passar dos anos, a iniciativa de médicos brilhantes, mesmo sofrendo críticas severas, começou a ser aceita e reconhecida obrigatoriamente no mundo médico.

A palavra otimização passou a fazer parte da rotina diária do cirurgião plástico através das realizações das plásticas estéticas, procurando melhorar a auto-estima, corrigir imperfeições e tratar as marcas do envelhecimento tecidual do corpo.

Atualmente, até injetar uma substância tóxica como a Toxina Botulínica para paralisar fibras musculares e prevenir as temidas rugas faciais, ou seja, buscar o não envelhecimento visual da pele, é completamente aceito.

Eu acompanho este avanço desde meus 18 anos, quando ingressei na universidade e passei a acompanhar em todos os meus tempos livres, a rotina de meu pai na Clínica e em todos os lugares em que ele opera.

É impressionante poder perceber o poder psicológico das cirurgias plásticas e gratificante saber que muitas pessoas têm mudanças incríveis em suas vidas após a realização de um procedimento estético.

A dermatologia também avançou, compreendendo que não precisava somente tratar de doenças de pele; a Oftalmologia avançou compreendendo que a visão que envelhece pode ser “rejuvenescida”, ao invés de pensar que “se deixou de enxergar perfeitamente, é porque é normal da velhice e pronto”.

Hoje existem grandes esforços para a compreensão de que a Medicina Integrativa então pode também atuar ativamente para otimizar metabolismos, melhorando níveis hormonais, modulando o estresse, praticando exercícios físicos específicos e entrando a fundo na vida das pessoas, existe uma maior compreensão de que a adoção de hábitos saudáveis desde cedo é o caminho para envelhecer sem adoecer.

E sabemos que o corpo começa o processo de envelhecimento desde o nascimento, portanto o cuidado pode ser conseguido desde a criança, através da orientação dos pais. É por isso que todo médico especialista em Medicina Integrativa, antes de tratar qualquer pessoa, vira seu próprio paciente.

É realmente fascinante a quantidade de opções que temos hoje, aproveitando aqui sim de tecnologia, mas acima de tudo dessa percepção de que ninguém deve ser mais refém de sua genética, nem na cirurgia plástica, nem na dermatologia, nem oftalmologia, e nem na parte metabólica.

E é fascinante também o que a Medicina Integrativa pode fazer para melhorar e atenuar os efeitos do tempo nas pessoas.

 

A Medicina Integrativa

Deixo aqui os meus sinceros desejos, enumerados, como uma lista para o Papai Noel, pra que o futuro se transforme na melhor realidade e se transforme realmente em cirurgia plástica avançada, trabalhando em conjunto com a Medicina Integrativa, como já acontece em outros países:

  • Ao realizar uma cirurgia plástica, os exames solicitados serão completos e fornecerão todos os parâmetros hormonais e inflamatórios para que a pessoa seja avaliada globalmente, detectando se sua idade cronológica (número, data de nascimento) está de acordo com sua idade Biológica (idade estimada do corpo);

 

  • Quando o corpo está envelhecendo (pele, músculos, gordura) mais do que deveria, isto será identificado, e existirá um programa personalizado para correção e reversão deste processo, sendo a cirurgia plástica parte deste tratamento;

 

  • Existirão meios de suplementação específicos para melhorar a qualidade de cicatrização, reduzir os riscos operatórios e pós-operatórios e melhorar toda qualidade e tempo de recuperação;

 

  • A correção e otimização do metabolismo da pessoa fará com que a mudança da cirurgia tenha “duração” exponencialmente maior;

 

  • Organismos funcionando com saúde ótima responderão melhor a qualquer tipo de intervenção, reduzindo sensivelmente os riscos, que serão aferidos rotineiramente através de exames;

 

  • Modulação Hormonal será mais popular e ajudará na proteção contra doenças, mas também faz com que o corpo responda melhor aos exercícios físicos, possibilitando criação de músculos e queima de gordura;

 

  • Em muitas cirurgias plásticas necessitamos contar com a qualidade da pele para retração da mesma e adequação frente a um novo contorno. Que a Medicina Integrativa, com a otimização hormonal, seja capaz de interferir neste processo, dependente de fatores de crescimento, proteínas, gorduras e colágeno e criar condições para resultados otimizados;

 

  • Quem procura a cirurgia plástica geralmente tem preocupação com rejuvenescimento “por fora”, entretanto é papel do médico educar e mostrar que tão importante quanto, também é buscar o mesmo rejuvenescimento “por dentro”, e saber como alcançar este conjunto é fundamental;

 

  • Que as otimizações metabólicas sejam capazes de retardar a necessidade de outras cirurgias plásticas antes do tempo ideal para a realização das mesmas;

 

  • Que a honestidade seja a base do trabalho do cirurgião: receber um paciente para cirurgia plástica e poder jogar aberto, mostrar os limites que uma cirurgia será capaz de alcançar em termos de resultado. Expor também se, um tratamento antienvelhecimento poderia trazer resultados melhores sem a necessidade de uma cirurgia, honestidade e excelência no serviço, visando obter o melhor resultado possível, e não apenas realizar mais um procedimento.

Até o próximo artigo,

Victor Sorrentino