Consumo de sal e hipertensão: qual é a relação?

Consumo de sal e hipertensão: qual é a relação?

A chance de você já ter ouvido de algum hipertenso que ele não pode consumir alimentos muito salgados é alta. Afinal, uma das recomendações para quem tem hipertensão é que reduz o consumo de sal de cozinha.

O grande problema do sal é a concentração de sódio, esse sim, um elemento prejudicial à pressão arterial quando está em excesso no organismo.

Mas, será que o sal com o qual a comida é salgada é a única fonte desse sódio excessivo? É essa a reflexão que quero propor neste artigo.

Hipertensão: uma doença silenciosa

A hipertensão é um problema de saúde pública muito sério. A própria Organização Mundial da Saúde – OMS alerta para os números alarmantes.

Cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência da hipertensão no mundo. Falando de Brasil, 1 a cada 4 adultos sofre com a doença.

No ano de 2017, a hipertensão foi responsável por 302 mil óbitos. Isso equivale a 829 mortes por dia, ou 34 mortes por hora.

Estima-se que, pelo menos 80% dos casos de AVC tenham origem na hipertensão. Portanto, é um tema que merece a nossa atenção.

A hipertensão é conhecida como um mal silencioso exatamente porque apresenta poucos sintomas. Em muitos casos, o paciente só descobre quando é surpreendido por alguma condição avançada.

No entanto, a boa notícia é que, ao adotar hábitos de vida saudáveis, o controle da pressão arterial fica muito mais simples.

O excesso de sódio

Em seu livro “Sal, açúcar e gordura”, o jornalista Michael Moss dedica toda a terceira parte a explicar como a indústria nos viciou em sal.

Ele ilustra como a imprensa demonizou o sal de cozinha, delegando ao ingrediente o rótulo de vilão da hipertensão. 

O problema não era exatamente o sal, mas sim, o sódio. A população consumia entre 10 a 20 vezes mais sódio do que o recomendado para a saúde.

Estudos mostravam que essas altas quantidades de sódio consumidas pelos norte-americanos estavam levando ao aumento da doença. Pesquisas mostravam era um em cada quatro americanos eram vítimas dessa “assassina silenciosa” chamada hipertensão.

Agentes de saúde dos EUA tiveram como alvo os saleiros presentes nas cozinhas.

Assim, reportagens e editoriais sugeriam que a população jogasse fora os saleiros.

No entanto, estudos conduzidos posteriormente mostravam que a quantidade de sal consumida pelas pessoas não era assim tão alta. Então, qual seria a origem de todo aquele sódio?

A resposta veio em 1991, por meio dos resultados de um experimento publicado no Journal of the American College of Nutrition. Ao final do estudo, ficou claro que o sal era responsável por apenas 6% do consumo diário de sódio.

Exatamente nessa época, a culinária caseira estava em declínio. Alimentos processados, pré-cozidos, pré-montados e embalados para viagem preenchiam boa parte das refeições.

Os responsáveis pelo estudo descobriram que mais de três quartos do sal consumido diariamente vinham dessas opções industrializadas.

A indústria dos alimentos conhece como ninguém o poder do sabor salgado sobre o paladar humano. Assim, não hesitaram em despejar sacos de sal nos alimentos processados. Mesmo nas versões em baixa caloria ou sem açúcar, que nos são apresentadas como “saudáveis”.

As altas taxas de sódio tornaram-se uma estratégia para aumentar as vendas e o consumo dos processados. Portanto, o impacto do sal em receitas caseiras não chegava a ser significativo.

O cristal branco errado

Um estudo publicado no BMJ também discute o papel de outro ingrediente bastante conhecido, mas pouco associado à hipertensão: o açúcar.

Ao longo da publicação, fica claro como estamos de fato preocupados com o cristal branco errado. Em vez de retirar o sal, deveríamos tirar o açúcar do nosso cotidiano, este que também se faz presente nos alimentos ultraprocessados.

O estudo conduzido por dois cientistas norte-americanos mostra como o açúcar pode sobrecarregar os vasos sanguíneos. Os cardiologistas James DiNicolantonio e Sean Lucan compararam 120 casos de indivíduos com alto consumo de açúcar e sal.

Os efeitos hipertensivos foram notados no grupo que consumia um teor mais alto de açúcares e carboidratos.

Entre as razões fisiológicas listadas, a alta concentração de ácido úrico no organismo já seria suficiente para trazer prejuízos ao revestimento interno das artérias. Além disso, o ácido úrico age na retenção do sódio no organismo.

O abuso do açúcar também desequilibra os níveis de insulina no organismo, o que pode levar ao aumento da pressão e ao envelhecimento das artérias.

Portanto, motivos não faltam para riscar o açúcar do dia a dia.

Controlando a pressão arterial

Acredito que incentivar o consumo do que chamamos de comida de verdade seria muito mais interessante do que vilanizar um único ingrediente.

Ao adotar uma alimentação balanceada, reduzindo os processados e ultraprocessados, as chances de prevenir e tratar corretamente a pressão arterial são maiores.

Aliado ao hábito de se exercitar, abandonar tabagismo e álcool, a tendência é que muitos problemas de saúde sejam prevenidos.

É por isso que precisamos ser vigilantes em relação ao nosso estilo de vida. Quando aceitamos tudo o que nos é colocado sem uma reflexão podemos acabar vítimas dos nossos próprios desejos.

A boa notícia é que é possível ter maior controle sobre nosso corpo, o que reflete em melhoria de nossa saúde.

Rever os próprios hábitos pode ser um processo doloroso no início, porém, a cada dia fica mais fácil. É como virar uma chave interna. Aos poucos, não nos vemos mais sem exercícios físicos e percebemos como certos produtos alimentícios são completamente dispensáveis.

É o que ensino no meu Curso Segredos Para Uma Vida Longa. Para conhecer o programa completo, clique a seguir: Curso Segredos Para Uma Vida Longa.

Conheça o método para viver com muita saúde e energia.