A cada 38 minutos um homem morre em decorrência do câncer de próstata no Brasil.

Todos os anos a campanha Novembro Azul busca chamar a atenção da sociedade – em especial da ala masculina – para a importância do cuidado com a própria saúde. Durante esse mês a concientização em relação ao câncer de próstata e exames preventivos são o foco. 

Entretanto, ainda existem controvérsias acerca de algumas dessas políticas de prevenção. O rastreamento populacional do câncer de próstata, ou seja, a investigação da doença em homens que não apresentam sintomas e não estão no grupo de risco, é alvo de discussões.

O debate sobre os prós e contras da prática acaba por agravar a confusão das pessoas. Afinal, devo ou não realizar o exame preventivo? Qual a melhor abordagem para homens  fora do grupo de risco?

Como médico e homem, me vejo na missão de esclarecer alguns pontos sobre este tema tão importante.

A saúde masculina em cheque

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que foram descobertos 61.200 novos casos entre 2016 e 2017 no país.

Isso faz do câncer de próstata o de maior incidência do sexo masculino depois do câncer de pele (com exceção do melanoma). Estou falando de um total de 28,6% dos casos.

Entre os homens criou-se toda uma cultura do não cuidado com a própria saúde. Seja por tabu, desconforto ou descaso, fato é que estima-se que mais de 50% nunca tenha pisado em consultório um urológico.

O resultado disso?

Dos casos descobertos, segundo nota da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), 20% são diagnosticados em estágios avançados da doença, ou seja, quando a probabilidade de cura através de um tratamento já são consideravelmente menores.

Fica evidente a necessidade de uma mudança de comportamento drástica, e a campanha Novembro Azul faz um trabalho fenomenal trazendo o tema da prevenção para uma discussão aberta.

 

Os debate sobre o rastreamento

As discussões sobre a investigação da doença naqueles indivíduos que não fazem parte do grupo de risco e nem apresentam sintomas é sobre o real benefício que a prática pode trazer.

Não existe um consenso se esses benefícios de investigação da doença são realmente relevantes para a população e nem se anulam os riscos que um programa como este pode representar.

O rastreamento através dos exames preventivos possibilita a descoberta de um tumor em sua fase inicial.

Porém existe a chance de um indivíduo fora do grupo de risco desenvolver a doença.

O incentivo a essa prática, entretanto, não leva em conta a seguinte informação: o câncer de próstata geralmente possui um desenvolvimento muito lento.

Muitos homens passam toda a sua vida sem ao menos saber que possuem a doença.

Existe a chance de que o câncer, mesmo presente, não tenha tempo de chegar a se desenvolver e causar qualquer problema ao paciente durante sua vida.

Infecções e outras condições menos graves – como a Hiperplasia Benigna da Próstata, que altera a produção de PSA – podem ainda estar por trás de anormalidades identificadas em exames preventivos.

O paciente é então enviado a uma cirurgia ou biópsia, que além de se tratarem de procedimentos invasivos, dolorosos e representarem risco como infecções e disfunção erétil, pode ter sido absolutamente desnecessário.

Falando em disfunção erétil, você sabia que ela pode estar associada tanto a problemas funcionais, anatômicos e até psicológicos? Fiz um vídeo sobre o assunto que você pode assistir clicando aqui. 

Para evitar a ocorrência de alarmes falsos, além de gastos extras com exames enquanto política de saúde pública, atualmente o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional como abordagem ao diagnóstico câncer de próstata.

 

Uma decisão individual

Apesar da polêmica quanto ao rastreamento da população como um todo, quando nós focamos no indivíduo a prevenção por parte dos grupos de risco ainda se mostra efetiva e deve sim ser incentivada – e praticada!

Em casos onde familiares de primeiro grau tiveram câncer de próstata, como o pai ou irmão, a incidência chega a ser 10 vezes maior do que a população em geral.

O mesmo se dá para os homens negros. Em estudo conduzido pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, foi encontrado um risco 3 vezes maior de desenvolvimento do tumor naqueles de pele negra se comparado aos homens caucasianos.  

Nesses indivíduos, o recomendado é que procurem um profissional especializado para uma avaliação individual a partir dos 45 anos de idade. Aos demais, a consulta individual é indicada a partir dos 50 anos.

O homem irá com o auxilio de seu médico decidir se será realizado o rastreamento com base em uma discussão ampla dos seus riscos e benefícios.

 

É possível envelhecer sem adoecer?

Os exames preventivos são eficazes para detectar a doença, mas em nada afetam a sua incidência.

Hoje sabemos que 90% das doenças podem ser absolutamente evitadas

Isso porque, além de idade, raça e fatores genéticos, as escolhas e os hábitos que mantemos têm um peso enorme e também representam fatores de risco para o desenvolvimento de uma série de doenças, inclusive o câncer.

Falo de obesidade, de um estilo de vida sedentário, do fumo, do excesso de bebidas alcoólicas e até de práticas mentais negativas: a má gestão das nossas emoções, por exemplo.

Assim, fica a pergunta: como podemos nos prevenir de verdade contra as doenças?

A Medicina Preventiva, que é a medicina que eu acredito e pratico, é a favor de um envelhecimento com saúde baseado nas escolhas conscientes do presente.

Para isso, define quatro pilares principais: prática de exercícios físicos, manejo correto do estresse, uma alimentação completa e o equilíbrio hormonal. Leia mais sobre cada um desses itens neste post que escrevi.

Você pode e deve participar ativamente na construção de um amanhã livre de doenças.

ENTENDA QUE CADA UMA DE NOSSAS ESCOLHAS POSSUI UMA CONSEQUÊNCIA, E QUE ESTÁ EM SUAS MÃOS ESCOLHER OU NÃO A SAÚDE.

Victor Sorrentino